quinta-feira, 10 de maio de 2018

Pura perplexidade

Sei que o campeonato de futebol 2017/2018 ainda está em alvoroço por o FC do Porto o ter vencido. Os ressabiados ainda estão com uma azia tremenda e têm tido atitudes um quanto ao tanto despropositadas e até mesmo inadequadas para a grandeza que um clube como o SL Benfica tem.

Ontem – 9 de maio de 2018 – vi algumas atitudes de adeptos do glorioso que me deixaram completamente perplexo. 

Foi notícia que um grupo de adeptos do FC do Porto (inclusive da claque Super Dragões) decidiram fazer uma peregrinação ao Santuário de Fátima para agradecer à Nossa Senhora a conquista do campeonato. Apesar de eu ter a certeza que tudo o que é Divino (Deus, Jesus, Nossa Senhora e Santos) não se meterem em coisas de futebóis, não vejo qual o mal desses adeptos irem a Fátima agradecer a conquista por parte do clube. Outros adeptos de outros clubes também o fazem e até levam a imagem da Virgem para o estádio…

O que me deixa perplexo é ver a reação de alguns adeptos benfiquistas. Não é a questão da critica feita à ação dos dragões, mas sim a forma como a critica foi feita. Ler “…eu sabia que tinha dedo de mulher”, é de se ficar perplexo ou até mais qualquer coisa. Primeiro, não é aceitável esta falta de respeito para com uma das figuras mais importantes do cristianismo; trata-se de uma ofensa para a Nossa Senhora mas também para quem é crente na religião – sejam portistas, benfiquistas, sportinguistas ou de nenhum clube. Segundo, é uma ofensa para com a mulher em si. Tal comentário, mostra um pouco de xenofobia em relação às mulheres. Dizer o que se disse, mostra que a pessoa em causa acha que tudo o que a mulher faz, faz mal. 

O segundo caso tem a ver com a brincadeira que alguns jogadores do FC Porto tiveram com um polvo de plástico nos festejos da conquista do campeonato, onde bateram e pontapearam o dito animal. Depois de tanta polémica com emails, toupeiras e polvos que envolvem o SL Benfica, sem que houvesse um desmentido claro por parte dos dirigentes durante este tempo todo. Ver, o diretor de comunicação do SL Benfica ficar de tal maneira ofendido com as brincadeiras com o polvo de borracha e afirmar na BTV que tais gestos eram grosseiros, reprováveis e que por isso tudo, aqueles jogadores e o clube que representam, não mereciam os parabéns da parte do clube da Luz ao FC do Porto pela conquista do campeonato.

Só posso tirar uma conclusão desta reação: se, se sentiram tão ofendidos com a “pancadaria” dada ao polvo no Dragão, então é porque de facto o polvo encarnado é bem real. Senão, não ficavam tão ofendidos.

sexta-feira, 4 de maio de 2018

Azul e Branco

No passado domingo, 29 de abril, fui mais a minha esposa visitar o Museu do FC Porto e aos pontos mais importantes do Estádio do Dragão. Confesso que foi uma tarde muito bem passada e que me fez perceber ainda mais, como é tão grande e rica a história do meu clube.

Durante as duas visitas, vaguearam pela minha cabeça vários pensamentos. Pensamentos esses que disse a mim mesmo que iria partilhá-los num texto. E cá está ele.

Os principais adversários (não gosto da palavra rivais) do meu clube, usam muitas vezes argumentos sem nexo para atacar o poderio que o FC Porto tem. Não vou falar em “apitos dourados” porque senão teria de falar em “caso Calabote”, no “lápis azul” do tempo do regime fascista, nos “e-mails”, nos “voucher’s” ou em “Toupeiras” que é um animal que eu não simpatizo nada, pois dá cabo das raízes das árvores que são tão importantes para a nossa saúde e tão belas. Está claro de se ver, que se fosse a escrever sobre isto tudo teria um longo e extenso texto que quase dava uma Tese de Doutoramento.

Limitar-me-ei a escrever sobre alguns ataques mais simples mas que caiem no ridículo pela sua argumentação. Os adversários do meu clube dizem muito que temos como símbolo um animal que só existe no nosso imaginário, ao contrário do Leão e da Águia que eu não digo que são dois animais imponentes, um no reino dos mamíferos e o outro no reino das aves. Mas não nos podemos esquecer o Dragão de Komodo. De imaginário nada tem, é bem vivo e é, somente, considerado como o maior lagarto conhecido, chegando a atingir 40 cm de altura e 2 a 3 m de comprimento e pode atingir os 166 quilos de peso. Posso afirmar que com estas características é sem dúvida alguma o rei dos lagartos. Além disso, não lança fogo pela boca. Factos são factos.

Mas se quisermos falar do tal animal imaginário, aquele que cospe fogo pela boca, eis que surge um dos contrassensos mais aberrantes que eu já vi. Se é o Dragão o rei do fogo, porque carga de água o “Ninho da Águia” é considerado como o “Inferno da Luz” onde pairam muitos “Diabos vermelhos”? É do senso comum que é no inferno que existe fogo, fogo esse que serve para queimar as almas impuras. Será que é isso que acontece para os lados da 2.ª Circular?

Voltando ao Dragão de Komodo, aqui vou também atacar os adeptos do meu clube. Sabemos que um dos clubes adversários – devido à cor do seu equipamento – são conhecidos como os “Lagartos”, mas como já vimos lagarto é o Dragão e não o Leão.

Falando das cores do equipamento, tenho um gosto enorme pelo azul e branco. Além de ser a cor da Bandeira Nacional da era da Monarquia (que eu simpatizo), é a cor do céu encantador. É certo que às vezes esse mesmo céu torna-se vermelho, mas quando assim é, é muito mau sinal. Vem uma tempestade de trovoada tremenda. Agora, céu verde e branco… não há!

Além das várias diferenças existentes entre adversário, temos algo em comum (não falando da grandeza de cada um dos clubes e da história rica que têm). Há a Constelação do Dragão, mas também há a Constelação de Leão e a da Águia.

Uns gabam-se de serem o maior clube nacional em termos de adeptos e com mais Campeonatos Nacionais, mais Taças de Portugal e mais Taças da Liga, a verdade é que nunca conseguiram um Pentacampeonato (nem no tempo da Ditadura); outros gabam-se por serem a instituição com mais títulos conquistados se englobarmos todas as modalidades desportivas. Este argumento é tão infeliz pois se o destaque maior vai para o futebol, ter de recorrer às outras modalidades desportivas do clube para tentar afirmá-lo como um grande clube, é triste. Verdade que os clubes têm outras modalidades, mas estas são quase sempre desprezadas em prol do futebol. Ninguém o pode negar.

Em termos de “gabanços”, posso dizer que o FC Porto é o clube português com mais troféus internacionais conquistados (isto sim é prestígio para o futebol nacional); é o clube que teve nas suas fileiras o atleta com mais troféus coletivos conquistados – Vítor Baía – e é o clube que tem o Presidente com mais troféus conquistados, em todo o mundo. É sem dúvida um motivo de orgulho grandioso. Para não falar no melhor Museu do mundo para se visitar.

De salientar que o FC Porto, no tempo do Estado Novo, foi uma das poucas instituições a nível nacional que resistiu à prepotência de um governo ditatorial que obrigava que todos os símbolos ligados à história monárquica portuguesa, fossem abolidas e erradicadas. É o caso da cor do clube e usada nos seus equipamentos, ou a coroa presente no emblema. Aqui também se fez notar a força que o Dragão tem. 

Ao ver a história exposta no Museu do FC Porto e a grandiosidade que este e o Estádio transmite a quem os visitam, tenho a certeza que o futuro está garantido, será extremamente risonho e só terá uma cor: “Azul e Branco”. É esta a cor do meu coração. 

Termino relembrando que Penta só há um, o do Dragão e mais nenhum.

Viva o FC Porto, viva ao Azul e Branco!

O único Penta em Portugal

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Referendo sobre a coadoção de crianças entre casais do mesmo sexo: A hipocrisia política

No passado dia 17 de janeiro de 2014 foi aprovado no Parlamento, pelo PPD/PSD, a realização de um referendo sobre a coadoção de crianças por casais do mesmo sexo. Não é por causa desta temática que eu quero deixar aqui esta nota, até porque do que tenho visto e ouvido a minha opinião difere de muita gente. O que eu quero chamar à atenção é mesmo a realização do referendo e a hipocrisia que esta decisão se traduz.

Todos nós sabemos que esta questão da coadoção nos dias que correm é algo secundário nas prioridades do país e dos portugueses. Sabemos também que em questões bem mais fulcrais para o dia a dia de todos nós não se propõem referendos para saber qual a opinião de cada português. Decidem tudo nos gabinetes da Assembleia e o povo que se lixe. Quando a matéria diz respeito à intimidade de uma pequena minoria de portugueses, aí já passam a batata quente para o povo todo; quando na boa verdade podiam aprovar o que fosse no Parlamento.

Volto a referir que não é a coadoção de crianças que me incomoda. Incomoda-me sim ouvir os partidos que constituem o governo – em especial o PPD/PSD – a afirmarem que não há dinheiro para a saúde, para o ensino, para as pensões, para melhorar as condições degradantes que muitos dos portugueses estão a viver, e, de repente há dinheiro para se gastar em referendos a temas que nada interferem com a vida da esmagadora maioria dos cidadãos nacionais. Sabe-se que o último referendo que foi feito em Portugal custou nada mais, nada menos que dez milhões de euros aos cofres do Estado. Sabe-se de antemão que o que aí vem, se 35% dos portugueses forem votar será extraordinário. O resultado, esse, posso estar muito enganado mas sabendo o quanto o português é conservador, já se sabe bem qual vai ser. Pergunto: não era muito melhor pegar nos milhões que se vai gastar neste referendo hipócrita e aplicá-lo no que realmente faz falta ao país e aos portugueses?

domingo, 1 de dezembro de 2013

Um Sonho de Natal

25 de dezembro. Este ano tive a vontade de dar à minha família e a mim mesmo um Natal diferente de todos os outros. Em vez de ficarmos em casa a empanturrar-nos de comida e guloseimas, optei por pegar no carro e ir com os meus amores, por este nosso belo país, sem destino traçado.
            Saímos cedo para aproveitarmos ao máximo o dia. À nossa volta só se via um manto branco provocado por um valente nevão que caíra dois dias antes. Esta imagem fez sempre parte do meu imaginário desde criança. Como vivo na grande cidade, nunca imaginei ter o privilégio de ter um Natal pintado de branco. Que belo presente este.
            O ambiente no carro é excelente. A alegria, o amor e a paz transbordam em todos nós. Os meus filhos estão super felizes por terem um dia assim; a minha esposa, essa, tem um brilho nos olhos como eu nunca tinha visto em muitos anos de casamento. O autorrádio, esse, ajuda a essa harmonia tocando só músicas alusivas à quadra que estamos a viver.
            As horas iam passando e a fome apertava. Decidi parar no próximo café que encontrasse aberto para tomarmos um pequeno-almoço bem reforçado, pois o dia prometia.
            Paramos numa aldeia típica. Onde as casas eram todas feitas em pedra de xisto. A poucos metros de distância, por cima de uma porta, vimos um letreiro “Taberna do tio Joaquim”. Olhamos uns para os outros e arriscamos entrar. Que belo sitia aquele que acabávamos de descobrir. Ali respirava-se ao Portugal genuíno, onde a ruralidade faz parte do código genético do país.
Ao fundo, por trás do balcão, tínhamos um senhor cuja idade deveria rondar os 70 e muitos anos.
            – Entrem, entrem! Fiquem à vontade. A minha casa é a vossa casa. – diz o senhor com a maior das simpatias.
            Suspeitávamos que ali não se ia comer um pequeno-almoço à qual estávamos habituados no nosso dia-a-dia na cidade. Sentamo-nos numas das mesas de madeira que existia naquele espaço, não deviam ser mais que cinco mesas.
            O senhor aproximava-se de nós.
       – Muito bom dia. O que é que os meus amigos vão querer? – pergunta gentilmente.
            – Estamos todos com fome. Andamos em viagem há cerca de quatro horas e ainda não tomamos o pequeno–almoço – digo eu com um sorriso para o senhor que poderia ser meu avô –. O que se pode comer aqui?
            – Ora bem… vocês são esquisitos?
            – Nada disso! – respondo.
            – Então deixam que aqui o tio Quim vos surpreenda?
            Olho para a minha esposa, ela olha para mim e respondemos ao mesmo tempo.
            – Sim!
            – Não demoro.
     Sabíamos que estávamos a arriscar mas a simpatia do senhor Joaquim inspirávamos confiança, tínhamos a certeza que dali sairia algo bom.
        Enquanto esperávamos pela nossa primeira refeição do dia, pusemo-nos a apreciar com mais atenção o espaço que nos envolvia. Tínhamos nas paredes, como decoração, muitos utensílios – agrícolas, suponho eu – que nunca na vida imaginávamos que existiam nem sabíamos para que serviam.
            Não esperamos muito até que o senhor Joaquim aparecesse com uma bandeja completamente cheia de iguarias. A quantidade era tanta que foi necessário juntar outra mesa à nossa.
 – Ora bem. Quase tudo o que aqui veem são produtos feitos aqui em casa por nós. Têm pão de centeio acabadinho de sair do forno e feito pela minha esposa; queijo de ovelha feito por nós e com leite de ovelhas do nosso rebanho; doce de figo, doce de ameixa e doce de abóbora, tudo feito pela minha esposa; leite da nossa vaquinha Jerónima…
Mal ouvimos o nome do animal, soltamos uma valente gargalhada.
– Cevada cultivada, torrada e moída por mim; para terminar, um sumo de laranja natural com fruta do meu pomar… a única coisa aqui que não é feita aqui é a manteiga. Espero que gostem e que tenham um bom proveito. – continuou o senhor Joaquim.
– Muito obrigado. – dizemos nós.
Com este leque de alimentos, poderíamos ficar com o estômago composto e com capacidade para aguentar umas quatro horas até à próxima refeição. Era tudo divinal.
Ao fundo, ouvia-se a radiofonia. Creio eu que estava a dar o noticiário. O senhor Joaquim aparece do nada e aumenta o volume do aparelho. Ouviu-se:
       «Notícia de última hora: Troika abandona de vez o nosso país. A crise foi finalmente vencida e erradicada de vez . Governo, na voz do senhor Primeiro-Ministro, prepara-se para fazer, dentro de uns instantes, um comunicado à Nação. A qualquer momento, entraremos em direto de São Bento.»
            Depois de ouvirmos a notícia ficamos todos, sem exceção, irradiantes.
           – Viva! Terei futuro no meu país e já não necessitarei de emigrar! – rejubila o meu filho mais velho.
            Mas era bom esperar para saber o que o nosso principal governante tinha para dizer ao país.
            Não foi preciso muito para que tal acontecesse. A emissão radiofónica já estava a ser transmitida da residência oficial do Primeiro-Ministro. O senhor Joaquim e a sua esposa aproximavam-se do aparelho e prestavam toda a atenção do mundo.
            «Portuguesas e portugueses. Hoje vivemos um dia histórico para todos nós. É com o maior orgulho que vos informo que a crise financeira que nos atormentou durante os últimos anos, terminou. E posso garantir que foi de vez! A partir deste exato momento, eu e os meus companheiros de governo, vamos iniciar a tarefa de vos devolver tudo aquilo que vos foi retirado. Assim, estou em condições de vos garantir que todos os ordenados, subsídios de férias e de Natal, as reformas das pessoas mais penalizadas, serão repostos. Adianto também que faremos, imediatamente, baixar os impostos tributados a todos aqueles que trabalham honestamente e que nunca faltaram ao compromisso para com o Estado. Acabam-se as taxas e sobretaxas de quem é denominado Classe Média, pois não há nenhum país que consiga a prosperidade sem ter uma Classe Média forte. Vamos também tomar medidas para que não haja a Classe Baixa e consequentemente os níveis de desenvolvimento social no nosso país seja o maior exemplo no mundo em igualdade de direitos entre todos os cidadãos. Todos terão direito a um sistema de saúde universal de forma gratuita pois o direito à saúde não pode ser um luxo só para alguns. O mesmo acontecerá com a escola. Todos terão direito a estudar e a ter livros grátis até ao fim da escolariedade obrigatória que é de 12 anos; com isto pretendemos que não haja abandono escolar e que todos possam estudar independentemente de ser rico ou pobre. Aumentaremos o ordenado mínimo de forma a que o valor atual seja multiplicado por três, originando melhores condições de vida a quem mais trabalha e menos recebe. Criaremos condições para que os cidadãos com deficiência tenham todas as condições para que possam viver de uma forma mais justa e com uma maior justiça social; acusaremos criminalmente todos os atos de descriminação para com estes dignos cidadãos e aqueles que tenham uma orientação sexual diferente do que se achou tradicional; todos são pessoas de plenos direitos. Acabaram-se as pensões de quem ocupou cargos políticos. Acabou-se a corrupção e os jogos de interesses que roubaram milhões de euros ao país. Apostaremos de novo nas atividades económicas que a União Europeia nos retirou, designadamente: a industria transformadora, a agricultura, a pesca. Não haverá mais subsídios para não se produzir. Vamos criar milhares de postos de trabalho…»
            Estava maravilhado com tudo o que ouvia. O meu coração pulava de alegria. Finalmente o meu Portugal ia ser um local digno e justo. Mas o discurso ainda não tinha terminado.
            «Estas são apenas algumas das medidas que a partir de hoje vamos por em prática. Vamos deixar rapidamente de ser um país quase do terceiro mundo para passarmos a ocupar os lugares cimeiros do desenvolvimento social. Não haverá mais portugueses de primeira e portugueses de segunda. Somos todos cidadãos do mesmo país. Aqueles que têm mais rendimentos terão de contribuir mais. Foi assim, aliás, que conseguimos reequilibrar tão rapidamente a situação económica do país. Os donos das grandes fortunas decidiram por bem ajudar o país a erguer-se, ofereceram-se para pagar a maioria da nossa divida e regularizar de vez as suas situações com o fisco e a Segurança Social. É assim que construímos um país mais justo e melhor para todos. Obrigado.».
            Todos pulamos de alegria e começamos a cantarolar. O senhor Joaquim veio a correr até mim e deu-me um abraço forte e emotivo. Finalmente íamos deixar de estar na miséria, iam desaparecer os casos de fome que até aqui assombravam o país. Acabavam-se as injustiças sociais. Não podíamos ter melhor prenda de Natal.
           O tempo voava e a vontade de ir lá para fora festejar era muita. Vou até ao balcão para pagar ao senhor Joaquim o pequeno-almoço maravilhoso que ele nos preparou.
            – Só por causa destas ótimas notícias que acabamos de receber, eu ofereço a refeição que fizeram. Quero é que haja uma condição: é que me venham visitar de quando em vez, pode ser? – propõe o senhor que também estava visivelmente muito contente.
Na minha boca era bem visível o sorriso de orelha a orelha. Aceitei a sua proposta. Muito em breve voltaria ali para visitar Joaquim novamente. Alguém me tocava com alguma firmeza no ombro. Era a minha esposa.
– Querido, querido. Acorda! Está quase na hora. Temos que ir à Missa do Galo.
Sentia-me meio perdido. Onde é que eu estava afinal? Que horas seriam mesmo? A Missa do Galo é sempre à meia-noite…
– Estavas a sonhar com o quê? É que ouvi-te a falar e rir muito…
Já mais desperto, olhei à minha volta, vi onde estava e pensei: “Afinal tudo aquilo que vivi, não passou de um mero sonho. Um Sonho de Natal…”

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Os da "Aldeia" e os do "Império"


As guerrilhas entre Norte e Sul no nosso país, muito mais visíveis no mundo do futebol, fazem-me lembrar as aventuras e desventuras de Astérix e Obélix contra as forças do Império Romano de Júlio César.

Na banda desenhada, as forças de César por mais que tentem nunca conseguem levar de vencido os “pacatos” habitantes da aldeia gaulesa. Sempre que tentam uma investida, levam uma sova valente dos Gauleses.

Mesmo com derrotas atrás de derrotas, César acha-se sempre o superior e o invencível. Na verdade, não é bem assim…

Transpondo esta visão da famosa Banda Desenhada para o nosso futebol, a visão que temos é muito semelhante. De um lado temos os clubes do “Império” onde um até se autointitula como o maior do mundo e o outro que – apesar de ser pequeno – quer-se fazer de “grandalhão” perante os demais; do outro lado da barricada há o clube designado da “Aldeia” e que segundo os primeiros, não passa de um “clubezeco”.

Ora bem, a realidade mostra-nos que os “imperiais” tentam tudo por tudo para derrotar o clube da “Aldeia”, as armas usadas são várias e cada vez mais sofisticadas. Tentam tudo por tudo para rebaixar o tal “clubezeco” mas o sucesso esse é quase nulo. Mas para quê tanta importância dada ao clube da “Aldeia” senhores do “Império”? Se o clube em questão é tão insignificante, porque é que lhe dão tanto destaque?

Será que não se apercebem que quanto mais destaque derem ao clube da “Aldeia” mais forte ele se torna? Essa tal importância que vocês lhe dão tem o mesmo efeito da porção mágica do Astérix. E já sabem os efeitos que essa porção tem…

Os clubes do “Império” até se dão ao desplante de afirmarem que vêm à ”Aldeia” para a invadir (como a imagem acima mostra), a verdade é que nas suas imensas tentativas são quase sempre recambiados para a sua terra com uma abada das grandes. O pior, é que o “clubezeco” não se tem contentado só com as vitórias no seu território. Não, já vai de forma constante ao território do “inimigo” para os humilhar na sua própria casa! A vergonha dos “imperiais” chega a ser tanta que apagam a luz e ligam o sistema de rega para ninguém se aperceber de tal humilhação.

O irónico é que na Banda Desenhada, enquanto os Gauleses – Astérix e Obélix – se divertem a bater nos Romanos, aqui os “Aldeões” divertem-se a dar “cabazadas” das grandes aos “imperiais” e fazendo deles o melhor bombo de todas as festas (com ou sem luz). Há cada coincidência…

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Há touros com sorte!

Andava eu na minha visita ao mundo informativo virtual, quando me deparo com esta notícia "Final feliz para touro fugitivo de Viana" (acessível aqui).

Pensei eu que tinham encontrado o animal vivo e de boa saúde passado mais de um mês. Mas estava duplamente enganado. Primeiro, porque o referido touro já tinha sido encontrado e entregue ao seu dono passados 6/7 dias após a fuga; segundo, porque apesar dele estar vivo e de boa saúde (os 500 Kg mostram isso mesmo) o final feliz tinha a ver com uma outra situação. Situação essa que me deixou bastante pensativo.

Antes de continuar a desenvolver o meu raciocínio, quero deixar bem claro que nada tenho contra os que defendem os direitos dos animais. São pessoas com convicções fortes (tal como eu o sou) e por isso merecem todo o meu respeito. Só que no meu entender, essa defesa devia ter certos limites como é este caso que aqui falo.

Voltando ao tema deste texto.

Como podem ver na notícia, houve uma pessoa que se lembrou de usar as redes sociais virtuais e criar um movimento para angariação de fundos que permitissem pagar ao dono do touro para que este fosse mantido em liberdade. A ideia da utilização destas ferramentas para os mais diversos fins, não me espantam em nada.  Sei que já ajudaram a solucionar imensos problemas e dar novas oportunidades a muitas pessoas por este mundo fora. Sei também que são usadas pelos ativistas dos direitos dos animais para mostrarem a sua indignação perante as crueldades cometidas pelo homem para com os nossos companheiros no planeta terra; nomeadamente as touradas. Tudo isto merece o meu respeito e aceitação. Mas olhando para este caso da notícia, os meus neurónios começam a fervilhar com tantos pensamentos contrários à realidade que se vive neste momento no país.

A angariação levada a cabo pelo sujeito que teve a ideia de tudo fazer para manter o touro em liberdade, conseguiu acumular com os donativos de vários portugueses cerca de 1378 Euros. Feito isso, deslocou-se de Lisboa a Viana do Castelo para trocar o dinheiro pelo touro. Naturalmente que o dono do animal ao ver tal oferta ficou admirado (pudera!) e nem pensou duas vezes em ver-se livre do mamífero, que até já estava vendido a um talho de Ponte de Lima para depois entrar na cadeia alimentar humana. Perante a aceitação imediata (creio eu) do dono no negócio, tenho cá um pressentimento que os valores referidos superam em muito a oferta do tal talho da histórica vila minhota.

Permitam-me que vos coloque as várias questões que me surgiram a quando da leitura desta notícia e que me deixaram extremamente pensativo.

Todos sabemos que a crise tem feito com que milhares de portugueses estejam já a passar fome, principalmente as crianças. Os casos proliferam pelos vários órgãos de comunicação social. Quantas refeições dava o referido touro a gente necessitada? Bastava juntar um pouco de massa ou de arroz ou duas batatas e tínhamos refeições para uns tempos valentes. Não seria melhor pegar nesses tais 1378 Euros comprar na mesma o touro e dividi-lo por quem tem fome? E esse dinheiro para quantos quilos de massa, arroz ou batata não dava para depois dividir por quem precisa?

Há angariações de fundos que me metem muita confusão e esta é um desses exemplos. Gostava antes ver esses donativos a matar a fome às nossas crianças que estão a padecer por causa de uma crise que não têm nada a ver com ela, mas que são as primeiras a sentir na pele. Gostava de ver o sujeito que teve a ideia desse movimento e todos os que contribuirão com dinheiro, a fazerem o mesmo mas para matar a fome de muitos portugueses.

A verdade é que o touro continuará a andar em liberdade algures no distrito de Aveiro e muitos portugueses (principalmente crianças) continuarão a ter fome. Por isso digo: Há touros com sorte!

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Deficiência, emprego e o "bate punho"


Um dos meus maiores desejos neste momento, é o de querer arranjar um trabalho para poder organizar a minha vida como deve ser. Ter a minha independência financeira e provar que posso ser útil para com a sociedade onde estou inserido. É este ”pequeno” grande detalhe que me está a encravar a realização de outros sonhos/projetos pessoais.

Quando falo com várias pessoas sobre esta minha (enorme) vontade de arranjar trabalho, chovem palavras de lamentações e de justificações com a atual situação económica do país e que não está fácil para ninguém. Como cidadão atento que sou, bem sei que a coisa no nosso país está extremamente complicado para toda a gente. Há muita gente que quer trabalhar e não consegue arranjar, outros têm que abandonar o seu país e a sua família para conseguir ganhar o ganha pão lá fora, outros pura e simplesmente não quererem qualquer tipo de trabalho; há ainda patrões que se aproveitam desta tão falada “crise” para justificar despedimentos e outras maroscas pouco dignas no respeito para com o ser humano. Sei disto tudo.

Há aí um sujeito que foi “promovido” pela sociedade a vedeta e pelo governo quase a herói nacional do empreendedorismo só por ter dito num programa de televisão que os jovens precisavam “bater o punho” para arranjar trabalho e não se limitar a ficar em casa à espera que caía algo do céu. Eu até concordo em parte com esta personalidade, o que não me cai bem é o facto de ele saber que há pessoas que se fartam de andar a correr mundo à procura de oportunidades e, depois, não têm quem lhes dê essa oportunidade. Não é por falta de “batimento de punho” que eles não conseguem. Além disso, há ainda aqueles que conseguem algo e sujeitam-se a ser uns verdadeiros escravos das empresas, a receberem por recibos verdes, muitas vezes nem metade do ordenado mínimo tiram e que nem para as despesas dá. É para isto que ele diz para se bater punho?

Há também outros casos, na qual eu me autoincluo, que mesmo antes da dita “crise” ter aparecido, já viviam em crise desde sempre. Apesar de terem um percurso académico assinalável (algo que o “bate punho” diz que não interessa para nada. Se assim é, então para que existem as Universidades?), não têm quaisquer hipóteses de mostrar à sociedade de que são capazes de serem produtivos e que podem contribuir ativamente para o desenvolvimento económico e social do nosso país. Quando algum ser portador de deficiência aparece nos meios de comunicação social a mostrarem os seus feitos e as suas conquistas, toda a gente fica boquiaberta com tamanha força da natureza. Mas e dar-lhes oportunidade para eles conseguirem singrar profissionalmente? Onde estão os direitos destes seres que apesar de terem algumas limitações, tenho a certeza de que desempenhavam mais e melhor as tarefas atribuídas a eles do que muitos ditos “normais”?

Podemos ser diferentes fisicamente, mas somos mais empenhados em não desistir dos nossos sonhos e objetivos. Deem oportunidade a esta gente para provarem do que é capaz. Deem-me uma oportunidade de sentir-me útil para com o meu país (apesar de ele pouco merecer), deem a oportunidade de conseguir a minha independência financeira e seguir para os meus outros sonhos/objetivos pessoais.  

Se tirarem a letra “D” à palavra ”deficiente”, ficam com o verdadeiro adjetivo de todos que são como eu. Somos Eficientes!