Esta introdução serve de ponto de partida para tocar num assunto que para mim é deveras interessante e que quero partilhar com o mundo.
Quem me conhece, sabe que eu não consigo fazer nada com as mãos, nada mesmo. O mais interessante é que há gente adulta que me conhece praticamente desde que eu nasci, que sabem muito bem quais as minhas limitações, o que sou capaz e como consigo fazer mas apesar disso, quando me querem dar qualquer coisa direccionam-se logo para as minhas mãos ficando (mesmo assim) alguns minutos à espera que eu pegue com as minhas mãos o que me querem dar. Muitos acabam por desistir de me dar, ou então pousam o objecto o mais próximo de mim dizendo “depois diz aos pais que isto é teu”.
Mais grave é quando algumas pessoas ao verem que eu não pego, agarram à força uma das minhas mãos para colocarem o que me querem dar. Naturalmente que nas maiorias das vezes, passados alguns segundos, deixo cair o objecto; vendo o bem no chão, apressam-se a apanhar e muitas das vezes (um pouco zangadas) repetem a mesma asneira.
Em sentido oposto estão as crianças. Há uns dias atrás voltei a reviver uma experiência única e que me toca profundamente o coração.
Estava eu no bar que a minha família está a explorar, quando vejo a entrar um miúdo (que tem 4/5 anos) que mora mesmo em frente. A mãe dele foi tomar café lá e ele acompanhou-a, mas antes tinha ido à pastelaria do lado buscar um saquinho de gomas. Depois de dar umas corridas, o Filipe vem a correr para a mesa da mãe, onde tinha as gomas, e diz à mãe: “Mãe, vou dar uma goma ao Nuno”. Eu sorri com esta atitude. Veio a correr para mim e só diz uma única vez “pega”. Olhou para mim e viu-me de boca aberta – fiz isso para ver a reacção dele – e o nino não tem mais, mete-me a goma na boca mesmo antes da mãe lhe dizer que ele tinha de me meter à boca. Este acto ganha maior destaque se eu disser que a minha relação com o Filipe é quase nenhuma, nunca tivemos um contacto muito directo.
O caso do Filipe é apenas um dos muitos casos pela qual já passei, tanto com crianças mais novas como mais velhas que ele.
Ainda bem que há crianças neste mundo…
.jpg)