quinta-feira, 27 de junho de 2013

Há touros com sorte!

Andava eu na minha visita ao mundo informativo virtual, quando me deparo com esta notícia "Final feliz para touro fugitivo de Viana" (acessível aqui).

Pensei eu que tinham encontrado o animal vivo e de boa saúde passado mais de um mês. Mas estava duplamente enganado. Primeiro, porque o referido touro já tinha sido encontrado e entregue ao seu dono passados 6/7 dias após a fuga; segundo, porque apesar dele estar vivo e de boa saúde (os 500 Kg mostram isso mesmo) o final feliz tinha a ver com uma outra situação. Situação essa que me deixou bastante pensativo.

Antes de continuar a desenvolver o meu raciocínio, quero deixar bem claro que nada tenho contra os que defendem os direitos dos animais. São pessoas com convicções fortes (tal como eu o sou) e por isso merecem todo o meu respeito. Só que no meu entender, essa defesa devia ter certos limites como é este caso que aqui falo.

Voltando ao tema deste texto.

Como podem ver na notícia, houve uma pessoa que se lembrou de usar as redes sociais virtuais e criar um movimento para angariação de fundos que permitissem pagar ao dono do touro para que este fosse mantido em liberdade. A ideia da utilização destas ferramentas para os mais diversos fins, não me espantam em nada.  Sei que já ajudaram a solucionar imensos problemas e dar novas oportunidades a muitas pessoas por este mundo fora. Sei também que são usadas pelos ativistas dos direitos dos animais para mostrarem a sua indignação perante as crueldades cometidas pelo homem para com os nossos companheiros no planeta terra; nomeadamente as touradas. Tudo isto merece o meu respeito e aceitação. Mas olhando para este caso da notícia, os meus neurónios começam a fervilhar com tantos pensamentos contrários à realidade que se vive neste momento no país.

A angariação levada a cabo pelo sujeito que teve a ideia de tudo fazer para manter o touro em liberdade, conseguiu acumular com os donativos de vários portugueses cerca de 1378 Euros. Feito isso, deslocou-se de Lisboa a Viana do Castelo para trocar o dinheiro pelo touro. Naturalmente que o dono do animal ao ver tal oferta ficou admirado (pudera!) e nem pensou duas vezes em ver-se livre do mamífero, que até já estava vendido a um talho de Ponte de Lima para depois entrar na cadeia alimentar humana. Perante a aceitação imediata (creio eu) do dono no negócio, tenho cá um pressentimento que os valores referidos superam em muito a oferta do tal talho da histórica vila minhota.

Permitam-me que vos coloque as várias questões que me surgiram a quando da leitura desta notícia e que me deixaram extremamente pensativo.

Todos sabemos que a crise tem feito com que milhares de portugueses estejam já a passar fome, principalmente as crianças. Os casos proliferam pelos vários órgãos de comunicação social. Quantas refeições dava o referido touro a gente necessitada? Bastava juntar um pouco de massa ou de arroz ou duas batatas e tínhamos refeições para uns tempos valentes. Não seria melhor pegar nesses tais 1378 Euros comprar na mesma o touro e dividi-lo por quem tem fome? E esse dinheiro para quantos quilos de massa, arroz ou batata não dava para depois dividir por quem precisa?

Há angariações de fundos que me metem muita confusão e esta é um desses exemplos. Gostava antes ver esses donativos a matar a fome às nossas crianças que estão a padecer por causa de uma crise que não têm nada a ver com ela, mas que são as primeiras a sentir na pele. Gostava de ver o sujeito que teve a ideia desse movimento e todos os que contribuirão com dinheiro, a fazerem o mesmo mas para matar a fome de muitos portugueses.

A verdade é que o touro continuará a andar em liberdade algures no distrito de Aveiro e muitos portugueses (principalmente crianças) continuarão a ter fome. Por isso digo: Há touros com sorte!

1 comentário:

francisoc disse...

www.olhardireito.blogspot.com