quinta-feira, 21 de outubro de 2021

“Squid Game” - O dilema da discórdia

Nos últimos tempos, temos vindo a assistir a um alarido enorme em torno daquela que já é a série da plataforma de streaming – serviço de vídeo pago – Netflix. O sucesso da série “Squid Game” tem sido de tal ordem que já bateu todos os recordes de dinheiro arrecadado. O trabalho de realização custou, segundo o seu produtor, 2.7 milhões de Dólares americanos e os ganhos já ultrapassa os 900 mil milhões de Dólares. 

No entanto, “Squid Game” também tem batido o recorde de troca de opiniões completamente opostas. Há quem seja totalmente contra a série e exija que ela seja banida da plataforma, como há quem diga que o que está em causa é um retrato abstrato de uma sociedade em apuros e que por dinheiro está disposta a tudo. Isto sem falar dos denominados “VIP’s” que pagam rios de dinheiro só para ver as desgraças dos outros. Onde é que eu já vi isto na vida real??!!!

Mas na verdade será que a série “Squid Game” é mesmo mais perigosa que deixar horas e horas uma criança a fazer o que quer e bem lhe apetece na Internet, sem qualquer controlo dos pais? Será que o que se vê em determinados canais - p.ex. a CMTV - que mostram a qualquer hora do dia cenas de violência sem restrições, é menos perigoso que esta série? Será que a constante venda de drogas mesmo à porta das escolas é menos perigosa que uma série de ficção?

Além disso, achei curioso o alerta de uma escola para as cenas de sexo que supostamente existem na referida série. Sim, porque basta ver as novelas portuguesas em horário nobre em canal aberto e que contêm cenas bem mais escaldantes que aquelas que esta série mostra. E é apenas uma cena de dois minutos onde só se vê as costas da atriz destapadas e a fazer movimentos como se estivesse a enrolar-se com o parceiro sexual. Para mim é bem mais grave o que acontece depois, com a personagem masculina a desprezar a mulher, mesmo depois de ela se ter entregado a ele, totalmente. O que mostra, uma vez mais, o significado que muitos homens dão às mulheres, ou seja, usam-nas enquanto precisam delas e depois descartam-nas como meros objetos sexuais.

Mesmo assim, gostava de colocar algumas questões a quem está contra a “Squid Game”. Por acaso lembram-se daquele desafio chamado “MOMO” que surgiu na Internet e que provocou a morte e ferimentos graves em muitas crianças e adolescentes por todo o mundo? E a treta do jogo “Pokémon Go” onde jovens e adultos se davam ao trabalho de ir para os lugares mais estranhos só para apanhar um “bichinho” virtual, pondo em risco a sua integridade física? Alguém falou disso na altura? Alguma escola se mostrou preocupada? Vimos os pais alarmados? E o que diziam os iluminados Psicólogos que agora vêm criticar uma série televisiva de ficção? E as próprias escolas? Pois, não estavam cá. Ao contrário do “MOMO” e do “Pokémon Go”, os filhos de um pai preocupado com os efeitos da série “Squid Game”, só acede à Netflix se os pais quiserem... basta fazerem logout da plataforma e não dar de maneira nenhuma as credenciais de acesso aos filhos.

A série é violenta? É, mas atualmente o que é que não é violento e não passa na Internet ou nas televisões? Lembram-se da violencia gratuita nas noites recentes em Albufeira, Lisboa e Porto? Foi tudo antes da estreia da “Squid Game”… 

Trata-se de uma série de ficção. Como qualquer outro conteúdo do género, deve ser vista como pura ficção. Por ser para maiores de 16 anos, abaixo desta faixa etária deve ser supervisionada por adultos, explicando o seu contexto sem rodeios ou então, pura e simplesmente, barrar o acesso dos menores se acharem que estes não devem ver a série em causa.

Em casa, colocamos à prova o nosso filho mais velho (13 anos). Convidamos a vir ver o primeiro episódio connosco e ele próprio teve a consciência que não queria ver porque era demasiado violento. No entanto deixou bem claro o seguinte: “mas o filme ‘Cidade de Deus’ é bem mais violento que isto.”

Terminando… lembrem-se da velha máxima, senhores (muito) preocupados. “O fruto proibido, é o mais apetecido”, por isso quanto mais falam mal da série e do seu enredo, mais curiosidade vão despertar nos mais jovens. Aqueles que dizem serem os mais frágeis. Do que vejo, a fragilidade está nos mais velhos e não nos seus filhos.



quinta-feira, 11 de abril de 2019

O poder de uma pessoa

Até ao final do ano de 2018, o panorama televisivo caracterizava-se de uma forma completamente distinta daquilo que vemos atualmente. Tínhamos uma TVI que dominava as audiências praticamente durante todo o dia, via-mos uma SIC completamente à nora sem saber o que fazer para conquistar telespectadores, mas sem jeito. Da RTP não falo, porque devido ao seu estatuto de Serviço Público de Televisão não deve entrar nessas jogadas ou guerras de audiências. Deve sim, apresentar programas de qualidade e que agrade a quem não se identifique com a programação dos outros dois canais generalistas em sinal aberto.

Durante anos - desde a estreia do primeiro "Big Brother" -, a SIC teve que entrar numa luta com a TVI onde raramente venceu o seu principal opositor. Chegando ao ponto de em alguns casos, a própria RTP ter mais audiência que o canal de Pinto Balsemão. O caminho foi penoso, chegando ao cúmulo de eu ouvir várias pessoas afirmar de boca cheia que a programação da SIC não valia nada e que não gostavam de ver este canal. Confesso que tirando um ou outro programa, eu próprio sempre dispensei os canais privados a favor da RTP. E não se trata de pensar que esta sendo uma estação paga por todos nós, temos que a ver. Nada disso. É mesmo por me identificar mais com a grelha da referida estação.

Tal como no futebol, quem tem os melhores profissionais do seu lado tem maiores hipóteses de vencer. Na televisão acontece exatamente o mesmo. Pode o programa não valer um "chavo", mas se tiver uma cara que é acarinhada pelo telespectador a conduzir o mesmo, é meio caminho andado para o sucesso.

Numa tentativa de desespero, por ter tantos maus resultados na última década e meia - à qual nem as novelas da afamada Globo ajudavam a contrabalançar a "coisa" -, o grupo Impresa (detentora da SIC) decide dar um golpe na sua concorrente, e que golpe esse. Aposta todas as fichas e "rouba-lhe" a apresentadora mais mediática de toda a televisão portuguesa: Cristina Ferreira. Com esta jogada, Pinto Balsemão com a ajuda do olho cirúrgico do seu Diretor de Conteúdos, Daniel Oliveira, que outrora não passava de um "moço de recados" e que foi subindo, subindo, subindo até se tornar o homem mais poderoso da SIC, mas com esta jogada Balsemão e Oliveira deram uma estocada forte na TVI cujo as feridas deixadas em aberto, poderão demorar anos a fio a recuperar.

A verdade é que com este - literalmente - Xeque-Mate à TVI, colocando a Cristina do seu horário normal, a que se juntou o acréscimo de alguns programas de cusquice da vida alheia (que o povinho "tuga" tanto adora ver), a SIC conseguiu com que os telespectadores fugissem à debandada do canal de Queluz de Baixo.

O efeito Cristina Ferreira, ao que parece, é bem mais poderoso que o efeito AXE (faça-se publicidade ao desodorizante), Tem o poder de atrair resmas ou paletes de telespectadores e não é só para o programa da dita senhora. Toda a programação da SIC ficou a ganhar, mesmo aqueles programinhas de caquinha, que não têm conteúdo nenhum (por ex: "Quem Quer Namorar com o Agricultor", "O Carro do Amor" ou o pioneiro "Casados à Primeira Vista").

A TVI tenta a todo o custo remar contra a maré, apostando igualmente em novos programas de caquinha que nem ao final da série chegam ("Quem Quer Casar Com o meu Filho" é o exemplo) ou outros que vão se estreando em catapulta ("First Dates - O Primeiro Encontro", "Começar do Zero"), mas sem sucesso.

Suspeita-se que a TVI venha a ter a sua travessia no deserto nos próximos tempos. Uma receita que ela própria impôs à sua concorrente. E isto não vai lá com novas séries de programas como "Secret Story - A Casa dos Segredos" ou "Love on Top". Posso ir mais longe, nem um regresso do "Big Brother" servirá de tábua de salvação num barco que já está à deriva em alto mar. Voltar a esta velha receita, seria como um disco riscado que está sempre a tocar o mesmo. 

Para terminar, uma nota sobre aquelas pessoas que outrora detestavam a SIC e agora têm o seu televisor sintonizado neste canal. É caso para não dizerem que "desta água nunca beberei". Bastou que a toda poderosa Cristina Ferreira mudasse de malas e bagagens para outra "casa". O que devo dizer sobre isto? Nada mais que é uma situação um quanto ou tanto caricata.

Assim se vê o poder que uma única pessoa tem sobre uma multidão.


Fotografia retirada da Página Oficial 
da Cristina Ferreira no Facebook.

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Pura perplexidade

Sei que o campeonato de futebol 2017/2018 ainda está em alvoroço por o FC do Porto o ter vencido. Os ressabiados ainda estão com uma azia tremenda e têm tido atitudes um quanto ao tanto despropositadas e até mesmo inadequadas para a grandeza que um clube como o S. L, Benfica tem.

Ontem – 9 de maio de 2018 – vi algumas atitudes de adeptos do glorioso que me deixaram completamente perplexo. 

Foi notícia que um grupo de adeptos do FC do Porto (inclusive da claque Super Dragões) decidiram fazer uma peregrinação ao Santuário de Fátima para agradecer à Nossa Senhora a conquista do campeonato. Apesar de eu ter a certeza que tudo o que é Divino (Deus, Jesus, Nossa Senhora e Santos) não se meterem em coisas de "futebóis", não vejo qual o mal desses adeptos irem a Fátima agradecer a conquista por parte do clube. Outros adeptos de outros clubes também o fazem e até levam a imagem da Virgem para o estádio…

O que me deixa perplexo é ver a reação de alguns adeptos benfiquistas. Não é a questão da critica feita à ação dos dragões, mas sim a forma como a critica foi feita. Ler “…eu sabia que tinha dedo de mulher”, é de se ficar perplexo ou até mais qualquer coisa. Primeiro, não é aceitável esta falta de respeito para com uma das figuras mais importantes do cristianismo; trata-se de uma ofensa para a Nossa Senhora mas também para quem é crente na religião – sejam portistas, benfiquistas, sportinguistas ou de nenhum clube. Segundo, é uma ofensa para com a mulher em si. Tal comentário, mostra um pouco de xenofobia em relação às mulheres. Dizer o que se disse, mostra que a pessoa em causa acha que tudo o que a mulher faz, faz mal. 

O segundo caso tem a ver com a brincadeira que alguns jogadores do FC Porto tiveram com um polvo de plástico nos festejos da conquista do campeonato, onde bateram e pontapearam o dito animal. Depois de tanta polémica com emails, toupeiras e polvos que envolvem o S, L. Benfica, sem que houvesse um desmentido claro por parte dos dirigentes durante este tempo todo. Ver, o diretor de comunicação do S. L. Benfica ficar de tal maneira ofendido com as brincadeiras com o polvo de borracha e afirmar na BTV que tais gestos eram grosseiros, reprováveis e que por isso tudo, aqueles jogadores e o clube que representam, não mereciam os parabéns da parte do clube da Luz ao FC do Porto pela conquista do campeonato.

Só posso tirar uma conclusão desta reação: se, se sentiram tão ofendidos com a “pancadaria” dada ao polvo no Dragão, então é porque de facto o polvo encarnado é bem real. Senão, não ficavam tão ofendidos.

sexta-feira, 4 de maio de 2018

Azul e Branco

No passado domingo, 29 de abril, fui mais a minha esposa visitar o Museu do FC Porto e aos pontos mais importantes do Estádio do Dragão. Confesso que foi uma tarde muito bem passada e que me fez perceber ainda mais, como é tão grande e rica a história do meu clube.

Durante as duas visitas, vaguearam pela minha cabeça vários pensamentos. Pensamentos esses que disse a mim mesmo que iria partilhá-los num texto. E cá está ele.

Os principais adversários (não gosto da palavra rivais) do meu clube, usam muitas vezes argumentos sem nexo para atacar o poderio que o FC Porto tem. Não vou falar em “apitos dourados” porque senão teria de falar em “caso Calabote”, no “lápis azul” do tempo do regime fascista, nos “e-mails”, nos “voucher’s” ou em “Toupeiras” que é um animal que eu não simpatizo nada, pois dá cabo das raízes das árvores que são tão importantes para a nossa saúde e tão belas. Está claro de se ver, que se fosse a escrever sobre isto tudo teria um longo e extenso texto que quase dava uma Tese de Doutoramento.

Limitar-me-ei a escrever sobre alguns ataques mais simples mas que caiem no ridículo pela sua argumentação. Os adversários do meu clube dizem muito que temos como símbolo um animal que só existe no nosso imaginário, ao contrário do Leão e da Águia que eu não digo que são dois animais imponentes, um no reino dos mamíferos e o outro no reino das aves. Mas não nos podemos esquecer o Dragão de Komodo. De imaginário nada tem, é bem vivo e é, somente, considerado como o maior lagarto conhecido, chegando a atingir 40 cm de altura e 2 a 3 m de comprimento e pode atingir os 166 quilos de peso. Posso afirmar que com estas características é sem dúvida alguma o rei dos lagartos. Além disso, não lança fogo pela boca. Factos são factos.

Mas se quisermos falar do tal animal imaginário, aquele que cospe fogo pela boca, eis que surge um dos contrassensos mais aberrantes que eu já vi. Se é o Dragão o rei do fogo, porque carga de água o “Ninho da Águia” é considerado como o “Inferno da Luz” onde pairam muitos “Diabos vermelhos”? É do senso comum que é no inferno que existe fogo, fogo esse que serve para queimar as almas impuras. Será que é isso que acontece para os lados da 2.ª Circular?

Voltando ao Dragão de Komodo, aqui vou também atacar os adeptos do meu clube. Sabemos que um dos clubes adversários – devido à cor do seu equipamento – são conhecidos como os “Lagartos”, mas como já vimos lagarto é o Dragão e não o Leão.

Falando das cores do equipamento, tenho um gosto enorme pelo azul e branco. Além de ser a cor da Bandeira Nacional da era da Monarquia (que eu simpatizo), é a cor do céu encantador. É certo que às vezes esse mesmo céu torna-se vermelho, mas quando assim é, é muito mau sinal. Vem uma tempestade de trovoada tremenda. Agora, céu verde e branco… não há!

Além das várias diferenças existentes entre adversário, temos algo em comum (não falando da grandeza de cada um dos clubes e da história rica que têm). Há a Constelação do Dragão, mas também há a Constelação de Leão e a da Águia.

Uns gabam-se de serem o maior clube nacional em termos de adeptos e com mais Campeonatos Nacionais, mais Taças de Portugal e mais Taças da Liga, a verdade é que nunca conseguiram um Pentacampeonato (nem no tempo da Ditadura); outros gabam-se por serem a instituição com mais títulos conquistados se englobarmos todas as modalidades desportivas. Este argumento é tão infeliz pois se o destaque maior vai para o futebol, ter de recorrer às outras modalidades desportivas do clube para tentar afirmá-lo como um grande clube, é triste. Verdade que os clubes têm outras modalidades, mas estas são quase sempre desprezadas em prol do futebol. Ninguém o pode negar.

Em termos de “gabanços”, posso dizer que o FC Porto é o clube português com mais troféus internacionais conquistados (isto sim é prestígio para o futebol nacional); é o clube que teve nas suas fileiras o atleta com mais troféus coletivos conquistados – Vítor Baía – e é o clube que tem o Presidente com mais troféus conquistados, em todo o mundo. É sem dúvida um motivo de orgulho grandioso. Para não falar no melhor Museu do mundo para se visitar.

De salientar que o FC Porto, no tempo do Estado Novo, foi uma das poucas instituições a nível nacional que resistiu à prepotência de um governo ditatorial que obrigava que todos os símbolos ligados à história monárquica portuguesa, fossem abolidas e erradicadas. É o caso da cor do clube e usada nos seus equipamentos, ou a coroa presente no emblema. Aqui também se fez notar a força que o Dragão tem. 

Ao ver a história exposta no Museu do FC Porto e a grandiosidade que este e o Estádio transmite a quem os visitam, tenho a certeza que o futuro está garantido, será extremamente risonho e só terá uma cor: “Azul e Branco”. É esta a cor do meu coração. 

Termino relembrando que Penta só há um, o do Dragão e mais nenhum.

Viva o FC Porto, viva ao Azul e Branco!

O único Penta em Portugal

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Referendo sobre a coadoção de crianças entre casais do mesmo sexo: A hipocrisia política

No passado dia 17 de janeiro de 2014 foi aprovado no Parlamento, pelo PPD/PSD, a realização de um referendo sobre a coadoção de crianças por casais do mesmo sexo. Não é por causa desta temática que eu quero deixar aqui esta nota, até porque do que tenho visto e ouvido a minha opinião difere de muita gente. O que eu quero chamar à atenção é mesmo a realização do referendo e a hipocrisia que esta decisão se traduz.

Todos nós sabemos que esta questão da coadoção nos dias que correm é algo secundário nas prioridades do país e dos portugueses. Sabemos também que em questões bem mais fulcrais para o dia a dia de todos nós não se propõem referendos para saber qual a opinião de cada português. Decidem tudo nos gabinetes da Assembleia e o povo que se lixe. Quando a matéria diz respeito à intimidade de uma pequena minoria de portugueses, aí já passam a batata quente para o povo todo; quando na boa verdade podiam aprovar o que fosse no Parlamento.

Volto a referir que não é a coadoção de crianças que me incomoda. Incomoda-me sim ouvir os partidos que constituem o governo – em especial o PPD/PSD – a afirmarem que não há dinheiro para a saúde, para o ensino, para as pensões, para melhorar as condições degradantes que muitos dos portugueses estão a viver, e, de repente há dinheiro para se gastar em referendos a temas que nada interferem com a vida da esmagadora maioria dos cidadãos nacionais. Sabe-se que o último referendo que foi feito em Portugal custou nada mais, nada menos que dez milhões de euros aos cofres do Estado. Sabe-se de antemão que o que aí vem, se 35% dos portugueses forem votar será extraordinário. O resultado, esse, posso estar muito enganado mas sabendo o quanto o português é conservador, já se sabe bem qual vai ser. Pergunto: não era muito melhor pegar nos milhões que se vai gastar neste referendo hipócrita e aplicá-lo no que realmente faz falta ao país e aos portugueses?

domingo, 1 de dezembro de 2013

Um Sonho de Natal

25 de dezembro. Este ano tive a vontade de dar à minha família e a mim mesmo um Natal diferente de todos os outros. Em vez de ficarmos em casa a empanturrar-nos de comida e guloseimas, optei por pegar no carro e ir com os meus amores, por este nosso belo país, sem destino traçado.
            Saímos cedo para aproveitarmos ao máximo o dia. À nossa volta só se via um manto branco provocado por um valente nevão que caíra dois dias antes. Esta imagem fez sempre parte do meu imaginário desde criança. Como vivo na grande cidade, nunca imaginei ter o privilégio de ter um Natal pintado de branco. Que belo presente este.
            O ambiente no carro é excelente. A alegria, o amor e a paz transbordam em todos nós. Os meus filhos estão super felizes por terem um dia assim; a minha esposa, essa, tem um brilho nos olhos como eu nunca tinha visto em muitos anos de casamento. O autorrádio, esse, ajuda a essa harmonia tocando só músicas alusivas à quadra que estamos a viver.
            As horas iam passando e a fome apertava. Decidi parar no próximo café que encontrasse aberto para tomarmos um pequeno-almoço bem reforçado, pois o dia prometia.
            Paramos numa aldeia típica. Onde as casas eram todas feitas em pedra de xisto. A poucos metros de distância, por cima de uma porta, vimos um letreiro “Taberna do tio Joaquim”. Olhamos uns para os outros e arriscamos entrar. Que belo sitia aquele que acabávamos de descobrir. Ali respirava-se ao Portugal genuíno, onde a ruralidade faz parte do código genético do país.
Ao fundo, por trás do balcão, tínhamos um senhor cuja idade deveria rondar os 70 e muitos anos.
            – Entrem, entrem! Fiquem à vontade. A minha casa é a vossa casa. – diz o senhor com a maior das simpatias.
            Suspeitávamos que ali não se ia comer um pequeno-almoço à qual estávamos habituados no nosso dia-a-dia na cidade. Sentamo-nos numas das mesas de madeira que existia naquele espaço, não deviam ser mais que cinco mesas.
            O senhor aproximava-se de nós.
       – Muito bom dia. O que é que os meus amigos vão querer? – pergunta gentilmente.
            – Estamos todos com fome. Andamos em viagem há cerca de quatro horas e ainda não tomamos o pequeno–almoço – digo eu com um sorriso para o senhor que poderia ser meu avô –. O que se pode comer aqui?
            – Ora bem… vocês são esquisitos?
            – Nada disso! – respondo.
            – Então deixam que aqui o tio Quim vos surpreenda?
            Olho para a minha esposa, ela olha para mim e respondemos ao mesmo tempo.
            – Sim!
            – Não demoro.
     Sabíamos que estávamos a arriscar mas a simpatia do senhor Joaquim inspirávamos confiança, tínhamos a certeza que dali sairia algo bom.
        Enquanto esperávamos pela nossa primeira refeição do dia, pusemo-nos a apreciar com mais atenção o espaço que nos envolvia. Tínhamos nas paredes, como decoração, muitos utensílios – agrícolas, suponho eu – que nunca na vida imaginávamos que existiam nem sabíamos para que serviam.
            Não esperamos muito até que o senhor Joaquim aparecesse com uma bandeja completamente cheia de iguarias. A quantidade era tanta que foi necessário juntar outra mesa à nossa.
 – Ora bem. Quase tudo o que aqui veem são produtos feitos aqui em casa por nós. Têm pão de centeio acabadinho de sair do forno e feito pela minha esposa; queijo de ovelha feito por nós e com leite de ovelhas do nosso rebanho; doce de figo, doce de ameixa e doce de abóbora, tudo feito pela minha esposa; leite da nossa vaquinha Jerónima…
Mal ouvimos o nome do animal, soltamos uma valente gargalhada.
– Cevada cultivada, torrada e moída por mim; para terminar, um sumo de laranja natural com fruta do meu pomar… a única coisa aqui que não é feita aqui é a manteiga. Espero que gostem e que tenham um bom proveito. – continuou o senhor Joaquim.
– Muito obrigado. – dizemos nós.
Com este leque de alimentos, poderíamos ficar com o estômago composto e com capacidade para aguentar umas quatro horas até à próxima refeição. Era tudo divinal.
Ao fundo, ouvia-se a radiofonia. Creio eu que estava a dar o noticiário. O senhor Joaquim aparece do nada e aumenta o volume do aparelho. Ouviu-se:
       «Notícia de última hora: Troika abandona de vez o nosso país. A crise foi finalmente vencida e erradicada de vez . Governo, na voz do senhor Primeiro-Ministro, prepara-se para fazer, dentro de uns instantes, um comunicado à Nação. A qualquer momento, entraremos em direto de São Bento.»
            Depois de ouvirmos a notícia ficamos todos, sem exceção, irradiantes.
           – Viva! Terei futuro no meu país e já não necessitarei de emigrar! – rejubila o meu filho mais velho.
            Mas era bom esperar para saber o que o nosso principal governante tinha para dizer ao país.
            Não foi preciso muito para que tal acontecesse. A emissão radiofónica já estava a ser transmitida da residência oficial do Primeiro-Ministro. O senhor Joaquim e a sua esposa aproximavam-se do aparelho e prestavam toda a atenção do mundo.
            «Portuguesas e portugueses. Hoje vivemos um dia histórico para todos nós. É com o maior orgulho que vos informo que a crise financeira que nos atormentou durante os últimos anos, terminou. E posso garantir que foi de vez! A partir deste exato momento, eu e os meus companheiros de governo, vamos iniciar a tarefa de vos devolver tudo aquilo que vos foi retirado. Assim, estou em condições de vos garantir que todos os ordenados, subsídios de férias e de Natal, as reformas das pessoas mais penalizadas, serão repostos. Adianto também que faremos, imediatamente, baixar os impostos tributados a todos aqueles que trabalham honestamente e que nunca faltaram ao compromisso para com o Estado. Acabam-se as taxas e sobretaxas de quem é denominado Classe Média, pois não há nenhum país que consiga a prosperidade sem ter uma Classe Média forte. Vamos também tomar medidas para que não haja a Classe Baixa e consequentemente os níveis de desenvolvimento social no nosso país seja o maior exemplo no mundo em igualdade de direitos entre todos os cidadãos. Todos terão direito a um sistema de saúde universal de forma gratuita pois o direito à saúde não pode ser um luxo só para alguns. O mesmo acontecerá com a escola. Todos terão direito a estudar e a ter livros grátis até ao fim da escolariedade obrigatória que é de 12 anos; com isto pretendemos que não haja abandono escolar e que todos possam estudar independentemente de ser rico ou pobre. Aumentaremos o ordenado mínimo de forma a que o valor atual seja multiplicado por três, originando melhores condições de vida a quem mais trabalha e menos recebe. Criaremos condições para que os cidadãos com deficiência tenham todas as condições para que possam viver de uma forma mais justa e com uma maior justiça social; acusaremos criminalmente todos os atos de descriminação para com estes dignos cidadãos e aqueles que tenham uma orientação sexual diferente do que se achou tradicional; todos são pessoas de plenos direitos. Acabaram-se as pensões de quem ocupou cargos políticos. Acabou-se a corrupção e os jogos de interesses que roubaram milhões de euros ao país. Apostaremos de novo nas atividades económicas que a União Europeia nos retirou, designadamente: a industria transformadora, a agricultura, a pesca. Não haverá mais subsídios para não se produzir. Vamos criar milhares de postos de trabalho…»
            Estava maravilhado com tudo o que ouvia. O meu coração pulava de alegria. Finalmente o meu Portugal ia ser um local digno e justo. Mas o discurso ainda não tinha terminado.
            «Estas são apenas algumas das medidas que a partir de hoje vamos por em prática. Vamos deixar rapidamente de ser um país quase do terceiro mundo para passarmos a ocupar os lugares cimeiros do desenvolvimento social. Não haverá mais portugueses de primeira e portugueses de segunda. Somos todos cidadãos do mesmo país. Aqueles que têm mais rendimentos terão de contribuir mais. Foi assim, aliás, que conseguimos reequilibrar tão rapidamente a situação económica do país. Os donos das grandes fortunas decidiram por bem ajudar o país a erguer-se, ofereceram-se para pagar a maioria da nossa divida e regularizar de vez as suas situações com o fisco e a Segurança Social. É assim que construímos um país mais justo e melhor para todos. Obrigado.».
            Todos pulamos de alegria e começamos a cantarolar. O senhor Joaquim veio a correr até mim e deu-me um abraço forte e emotivo. Finalmente íamos deixar de estar na miséria, iam desaparecer os casos de fome que até aqui assombravam o país. Acabavam-se as injustiças sociais. Não podíamos ter melhor prenda de Natal.
           O tempo voava e a vontade de ir lá para fora festejar era muita. Vou até ao balcão para pagar ao senhor Joaquim o pequeno-almoço maravilhoso que ele nos preparou.
            – Só por causa destas ótimas notícias que acabamos de receber, eu ofereço a refeição que fizeram. Quero é que haja uma condição: é que me venham visitar de quando em vez, pode ser? – propõe o senhor que também estava visivelmente muito contente.
Na minha boca era bem visível o sorriso de orelha a orelha. Aceitei a sua proposta. Muito em breve voltaria ali para visitar Joaquim novamente. Alguém me tocava com alguma firmeza no ombro. Era a minha esposa.
– Querido, querido. Acorda! Está quase na hora. Temos que ir à Missa do Galo.
Sentia-me meio perdido. Onde é que eu estava afinal? Que horas seriam mesmo? A Missa do Galo é sempre à meia-noite…
– Estavas a sonhar com o quê? É que ouvi-te a falar e rir muito…
Já mais desperto, olhei à minha volta, vi onde estava e pensei: “Afinal tudo aquilo que vivi, não passou de um mero sonho. Um Sonho de Natal…”

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Os da "Aldeia" e os do "Império"


As guerrilhas entre Norte e Sul no nosso país, muito mais visíveis no mundo do futebol, fazem-me lembrar as aventuras e desventuras de Astérix e Obélix contra as forças do Império Romano de Júlio César.

Na banda desenhada, as forças de César por mais que tentem nunca conseguem levar de vencido os “pacatos” habitantes da aldeia gaulesa. Sempre que tentam uma investida, levam uma sova valente dos Gauleses.

Mesmo com derrotas atrás de derrotas, César acha-se sempre o superior e o invencível. Na verdade, não é bem assim…

Transpondo esta visão da famosa Banda Desenhada para o nosso futebol, a visão que temos é muito semelhante. De um lado temos os clubes do “Império” onde um até se autointitula como o maior do mundo e o outro que – apesar de ser pequeno – quer-se fazer de “grandalhão” perante os demais; do outro lado da barricada há o clube designado da “Aldeia” e que segundo os primeiros, não passa de um “clubezeco”.

Ora bem, a realidade mostra-nos que os “imperiais” tentam tudo por tudo para derrotar o clube da “Aldeia”, as armas usadas são várias e cada vez mais sofisticadas. Tentam tudo por tudo para rebaixar o tal “clubezeco” mas o sucesso esse é quase nulo. Mas para quê tanta importância dada ao clube da “Aldeia” senhores do “Império”? Se o clube em questão é tão insignificante, porque é que lhe dão tanto destaque?

Será que não se apercebem que quanto mais destaque derem ao clube da “Aldeia” mais forte ele se torna? Essa tal importância que vocês lhe dão tem o mesmo efeito da porção mágica do Astérix. E já sabem os efeitos que essa porção tem…

Os clubes do “Império” até se dão ao desplante de afirmarem que vêm à ”Aldeia” para a invadir (como a imagem acima mostra), a verdade é que nas suas imensas tentativas são quase sempre recambiados para a sua terra com uma abada das grandes. O pior, é que o “clubezeco” não se tem contentado só com as vitórias no seu território. Não, já vai de forma constante ao território do “inimigo” para os humilhar na sua própria casa! A vergonha dos “imperiais” chega a ser tanta que apagam a luz e ligam o sistema de rega para ninguém se aperceber de tal humilhação.

O irónico é que na Banda Desenhada, enquanto os Gauleses – Astérix e Obélix – se divertem a bater nos Romanos, aqui os “Aldeões” divertem-se a dar “cabazadas” das grandes aos “imperiais” e fazendo deles o melhor bombo de todas as festas (com ou sem luz). Há cada coincidência…

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Há touros com sorte!

Andava eu na minha visita ao mundo informativo virtual, quando me deparo com esta notícia "Final feliz para touro fugitivo de Viana" (acessível aqui).

Pensei eu que tinham encontrado o animal vivo e de boa saúde passado mais de um mês. Mas estava duplamente enganado. Primeiro, porque o referido touro já tinha sido encontrado e entregue ao seu dono passados 6/7 dias após a fuga; segundo, porque apesar dele estar vivo e de boa saúde (os 500 Kg mostram isso mesmo) o final feliz tinha a ver com uma outra situação. Situação essa que me deixou bastante pensativo.

Antes de continuar a desenvolver o meu raciocínio, quero deixar bem claro que nada tenho contra os que defendem os direitos dos animais. São pessoas com convicções fortes (tal como eu o sou) e por isso merecem todo o meu respeito. Só que no meu entender, essa defesa devia ter certos limites como é este caso que aqui falo.

Voltando ao tema deste texto.

Como podem ver na notícia, houve uma pessoa que se lembrou de usar as redes sociais virtuais e criar um movimento para angariação de fundos que permitissem pagar ao dono do touro para que este fosse mantido em liberdade. A ideia da utilização destas ferramentas para os mais diversos fins, não me espantam em nada.  Sei que já ajudaram a solucionar imensos problemas e dar novas oportunidades a muitas pessoas por este mundo fora. Sei também que são usadas pelos ativistas dos direitos dos animais para mostrarem a sua indignação perante as crueldades cometidas pelo homem para com os nossos companheiros no planeta terra; nomeadamente as touradas. Tudo isto merece o meu respeito e aceitação. Mas olhando para este caso da notícia, os meus neurónios começam a fervilhar com tantos pensamentos contrários à realidade que se vive neste momento no país.

A angariação levada a cabo pelo sujeito que teve a ideia de tudo fazer para manter o touro em liberdade, conseguiu acumular com os donativos de vários portugueses cerca de 1378 Euros. Feito isso, deslocou-se de Lisboa a Viana do Castelo para trocar o dinheiro pelo touro. Naturalmente que o dono do animal ao ver tal oferta ficou admirado (pudera!) e nem pensou duas vezes em ver-se livre do mamífero, que até já estava vendido a um talho de Ponte de Lima para depois entrar na cadeia alimentar humana. Perante a aceitação imediata (creio eu) do dono no negócio, tenho cá um pressentimento que os valores referidos superam em muito a oferta do tal talho da histórica vila minhota.

Permitam-me que vos coloque as várias questões que me surgiram a quando da leitura desta notícia e que me deixaram extremamente pensativo.

Todos sabemos que a crise tem feito com que milhares de portugueses estejam já a passar fome, principalmente as crianças. Os casos proliferam pelos vários órgãos de comunicação social. Quantas refeições dava o referido touro a gente necessitada? Bastava juntar um pouco de massa ou de arroz ou duas batatas e tínhamos refeições para uns tempos valentes. Não seria melhor pegar nesses tais 1378 Euros comprar na mesma o touro e dividi-lo por quem tem fome? E esse dinheiro para quantos quilos de massa, arroz ou batata não dava para depois dividir por quem precisa?

Há angariações de fundos que me metem muita confusão e esta é um desses exemplos. Gostava antes ver esses donativos a matar a fome às nossas crianças que estão a padecer por causa de uma crise que não têm nada a ver com ela, mas que são as primeiras a sentir na pele. Gostava de ver o sujeito que teve a ideia desse movimento e todos os que contribuirão com dinheiro, a fazerem o mesmo mas para matar a fome de muitos portugueses.

A verdade é que o touro continuará a andar em liberdade algures no distrito de Aveiro e muitos portugueses (principalmente crianças) continuarão a ter fome. Por isso digo: Há touros com sorte!

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Deficiência, emprego e o "bate punho"


Um dos meus maiores desejos neste momento, é o de querer arranjar um trabalho para poder organizar a minha vida como deve ser. Ter a minha independência financeira e provar que posso ser útil para com a sociedade onde estou inserido. É este ”pequeno” grande detalhe que me está a encravar a realização de outros sonhos/projetos pessoais.

Quando falo com várias pessoas sobre esta minha (enorme) vontade de arranjar trabalho, chovem palavras de lamentações e de justificações com a atual situação económica do país e que não está fácil para ninguém. Como cidadão atento que sou, bem sei que a coisa no nosso país está extremamente complicado para toda a gente. Há muita gente que quer trabalhar e não consegue arranjar, outros têm que abandonar o seu país e a sua família para conseguir ganhar o ganha pão lá fora, outros pura e simplesmente não quererem qualquer tipo de trabalho; há ainda patrões que se aproveitam desta tão falada “crise” para justificar despedimentos e outras maroscas pouco dignas no respeito para com o ser humano. Sei disto tudo.

Há aí um sujeito que foi “promovido” pela sociedade a vedeta e pelo governo quase a herói nacional do empreendedorismo só por ter dito num programa de televisão que os jovens precisavam “bater o punho” para arranjar trabalho e não se limitar a ficar em casa à espera que caía algo do céu. Eu até concordo em parte com esta personalidade, o que não me cai bem é o facto de ele saber que há pessoas que se fartam de andar a correr mundo à procura de oportunidades e, depois, não têm quem lhes dê essa oportunidade. Não é por falta de “batimento de punho” que eles não conseguem. Além disso, há ainda aqueles que conseguem algo e sujeitam-se a ser uns verdadeiros escravos das empresas, a receberem por recibos verdes, muitas vezes nem metade do ordenado mínimo tiram e que nem para as despesas dá. É para isto que ele diz para se bater punho?

Há também outros casos, na qual eu me autoincluo, que mesmo antes da dita “crise” ter aparecido, já viviam em crise desde sempre. Apesar de terem um percurso académico assinalável (algo que o “bate punho” diz que não interessa para nada. Se assim é, então para que existem as Universidades?), não têm quaisquer hipóteses de mostrar à sociedade de que são capazes de serem produtivos e que podem contribuir ativamente para o desenvolvimento económico e social do nosso país. Quando algum ser portador de deficiência aparece nos meios de comunicação social a mostrarem os seus feitos e as suas conquistas, toda a gente fica boquiaberta com tamanha força da natureza. Mas e dar-lhes oportunidade para eles conseguirem singrar profissionalmente? Onde estão os direitos destes seres que apesar de terem algumas limitações, tenho a certeza de que desempenhavam mais e melhor as tarefas atribuídas a eles do que muitos ditos “normais”?

Podemos ser diferentes fisicamente, mas somos mais empenhados em não desistir dos nossos sonhos e objetivos. Deem oportunidade a esta gente para provarem do que é capaz. Deem-me uma oportunidade de sentir-me útil para com o meu país (apesar de ele pouco merecer), deem a oportunidade de conseguir a minha independência financeira e seguir para os meus outros sonhos/objetivos pessoais.  

Se tirarem a letra “D” à palavra ”deficiente”, ficam com o verdadeiro adjetivo de todos que são como eu. Somos Eficientes!

quinta-feira, 4 de abril de 2013

A demissão do Pindérico do "Dr." Miguel Relvas

Hoje, quase dois anos depois de lá ter entrado, o até então Ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, "Dr." Miguel Relvas, pediu a demissão do governo. Após o escutado com toda a atenção a sua declaração pública e ouvir dizer, como justificação da sua demissão, que já não tinha condições anímicas para continuar, fiquei com a sensação de que só abandonou o cargo porque foi literalmente obrigado a fazê-lo. 

Esta minha conclusão é simples de se justificar. Basta ouvir o que o ex-Ministro disse durante 7 minutos para se perceber isso mesmo. Parecia mesmo uma criança quando está embirrada porque se lhe tirou algo que gostava muito. 

Por um lado começou por dizer todas as grandes decisões (para ele) que ele tomou ao longo dos dois anos que esteve no poleiro. Depois, e do outro lado da moeda, aproveitou para dar bem nas orelhas a Pedro Passos Coelho. Dizendo de forma bem explicita que se este este foi eleito Presidente do PPD/PSD foi graças ao empenho e trabalho árduo que ele (Relvas) teve e que o mesmo se passou com a eleição para Primeiro-Ministro. Deu a entender que se não fosse este empenho, Passos Coelho não estaria onde está agora. 

Das duas uma: ou foi Passos Coelho que empurrou Relvas para fora porque este era um dos maiores motivos pelo descrédito que este governo caiu na opinião pública geral; ou, por outro lado, Paulo Portas pressionou forte e feio Passos Coelho a fazer cair o seu braço direito senão quem caía era o governo. Sinceramente, opto pela última hipótese. Porquê? Vejamos então: o discurso birrento de Miguel Relvas mostra muito bem o mau estar que existe por ali. Relvas sentiu-se desprotegido pelo amigo Coelho e desatou a dar nas orelhas dele publicamente, lembrando-lhe que se ele é Primeiro-Ministro de Portugal foi graças a si e como tal devia tê-lo protegido mais e conservado o seu lugar no poleiro.

Esta birrinha de Miguel Relvas só mostrou, mais uma vez que é um Pindérico do mais alto nível e o quanto lhe custa largar o poder conquistado.

Outra coisa que me fez impressão na declaração de Miguel Relvas, foi o simples facto de ele gastar o seu latim durante 7 minutos e não ter apresentado qual o motivo que o levou a demitir-se. Penso eu que todos os portugueses tinham direito a saber o que leva um ministro a renunciar ao cargo que ocupou. O motivo da "falta de força anímica" não chega. Ainda para mais quando o foco do seu discurso depois de dizer isto, foi de elogiar o trabalho feito por si e de dar recados ao Pedrito.

Especular, como muitos comentadores políticos já fizeram e vão fazer, que esta demissão está directamente relacionada com o caso da sua pseudo-licenciatura é uma falácia. Não foi o próprio Primeiro-Ministro que disse - quando a polémica estalou - que este assunto era um "não assunto"? Se é um "não assunto" não se pode usar este motivo como o que levou a esta demissão. Além disso, o relatório sobre a sua (não) licenciatura já estará nas mãos do Ministro da Educação há dois meses. Porque tanto tempo depois é que se resolve demitir?

A verdade é que o homem demitiu-se (ou foi demitido). Já devia o ter sido há mais tempo? Já! Até nem devia ter entrado no governo.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

A mensagem de Boas Festas de Pedro Passos Coelho

O dia seguinte ao de Natal de 2012, trouxe-nos mais um episódio lamentável para os lados de São Bento. Como tem sido comum no último ano e meio (se calhar até menos), o Primeiro-Ministro de Portugal voltou a contradizer-se.

Numa tentativa de se aproximar mais dos portugueses, de quem se tem afastado a cada dia que passa, Pedro Passos Coelho decidiu usar de novo o Facebook – muito em voga entre a classe política – para deixar uma mensagem a todos. Acontece que sempre que o Primeiro-Ministro tenta ficar bonito na fotografia, ainda fica com pior aspeto na mesma.

Toda a gente se deve lembrar que não há muito tempo atrás, Pedro Passos Coelho afirmou de boca cheia que os portugueses estavam habituados a viver acima das suas possibilidades e que tínhamos de ficar mais pobres para podermos pensar num futuro melhor (já aqui há um paradoxo). Perante estas palavras, principalmente a primeira parte, eu até estou de acordo com o homem; isto porque muita boa gente andou a viver à rico quando não tinha possibilidades para tal. Mas estes não são todos os portugueses!

Esta ideia de Pedro Passos Coelho até tinha fortes possibilidades – ao contrário de muitas outras – de ser aceite na sua generalidade. Tirando a ideia de que para se ter uma vida melhor no futuro é preciso empobrecer (quem é que pode ter uma vida boa se ficar pobre?), a ideia de que se viveu além das possibilidades começava a fazer com que as pessoas se consciencializassem de que era mesmo assim, onde o próprio Estado era um exemplo célere desse despesismo além das posses.

Acontece que Pedro Passos Coelho, gostando muito de ser polémico, decide voltar à carga e na tal dita mensagem afirma: “Este não foi o Natal que merecíamos. Muitas famílias não tiveram na Consoada os pratos que se habituaram. Muitos não conseguiram ter a família toda à mesma mesa. E muitos não puderam dar aos filhos um simples presente.”.

Vamos lá esclarecer uma coisa: se o senhor disse que estávamos a viver acima das possibilidades? Também não afirmou que se tinha de empobrecer? Este Natal – com a sua ajuda – foi exatamente aquilo que o senhor afirmara ser o melhor. Gente com pouco dinheiro para comer e dar de comer aos familiares (principalmente aos filhos), gente que não tem dinheiro para dar um mimo aos filhotes, e, gente que não foi capaz de reunir a família à mesa impulsionando assim o verdadeiro espirito do Natal.

Corta nos subsídios de Natal e de férias, corta nos ordenados, corta nas pensões sociais, aumenta drasticamente os impostos sobre os rendimentos e sobre o consumo, encarecendo assim os bens transacionáveis e afundando não só as famílias que ficam sem dinheiro para comprar mas também as empresas e o comércio porque não têm quem compre. Agora vem dizer (com um tom angélico e de quem é muito amigo dos portugueses) que este Natal não foi o que merecíamos??!!

Por fim, faz um apelo a que se sinta orgulho pelos sacrifícios feitos. Que ser humano, no seu perfeito juízo, tem orgulho em fazer sacrifícios obrigado pelo governo e com isso estar a penar?   

Deixo-lhe aqui um conselho. A partir de agora, antes de falar ou escrever publicamente, não se atreva a abrir a boca ou a escrever o que seja. É que como diz o povo: sempre que abre a matraca ou entra mosca ou sai mer**.

E já agora, abstenha-se de tratar os portugueses como “amigos”, porque 95% deles – não digo 100% pois ainda há quem o defenda – já não o pode ver à frente.

Outra coisa, achei demasiado pindérico da sua parte assinar a mensagem conjuntamente com o nome da sua esposa. Também não será assim que conseguirá repor a imagem perdida perante os portugueses.

Nota: para quem quiser ler a mensagem de Pedro Passos Coelho, tem aqui a ligação: https://www.facebook.com/pedropassoscoelho/posts/10151394557387292

sábado, 29 de setembro de 2012

Os insultos de quem nos governa.

Desde que me lembro da minha existência, nunca vi um governo a ser tão insultuoso para com a população do seu país como este último de Pedro Passos Coelho.

Logo nos inícios do seu mandato e quando começou com a já famosa austeridade (custe o que custar) além do estabelecido no memorando da "Troika", que membros do governo têm mostrado um desrespeito sem procedentes com o povo português, muitos destes que elegeram Pedro Passos Coelho para Primeiro-Ministro e como uma esperança renovada depois de um governo de José Sócrates que deixou muito a desejar.

Começou logo com o apelo aos jovens para emigrarem para outros países. Perante tal apelo, o governo deu sinal que não seria capaz de dar conta do recado e tirar o país da situação caótica em que estava metido. Aqui, deu-se logo uma machadada na esperança de um povo que desejava sair do buraco em que o tinham metido. Acho que para um responsável politico a quem lhe foi confiada a missão de governar Portugal, não fica nada bem proferir uma coisa destas. Sabe-se muito bem que quem vai para fora dificilmente regressará ao país de origem pois lá fora ganha-se mais, tem-se melhores condições de vida, ou seja, andamos a investir na formação académica dos nossos jovens e depois mandamo-los para que outros países rentabilizem e tirem proveito (financeiramente) dessas qualificações? Será que o governo pensa que os portugueses vão trabalhar para fora e depois mandam as poupanças para cá? Está tão iludido… Finalmente, o que Portugal precisa é que se criem condições para que os seus cidadãos criem riqueza para erguermos o país de modo a tirá-lo do fosso em que está metido.

Depois deste triste episódio que foi o mandar o povo para fora e quando as medidas austeras começavam a fazer mossa no “coiro” dos portugueses, eis que surge mais um episódio de deitar as mãos à cabeça: Vem o Primeiro-Ministro, chamar piegas aos portugueses. Ora bem, que o povo luso gostou sempre de andar a chorar pelos cantos (muitas vezes sem razão) é verdade mas sempre ouvi dizer que quem não se sente não é filho de boa gente; como tal é natural que um povo ao sentir-se oprimido, muitos com dificuldades enormes para sustentar as suas famílias, é legitimo que se queixe. Que moral tem um Primeiro-Ministro, responsável por essa “coça” que o povo tem levado, de chamar piegas a quem dá o seu corpo ao manifesto para sustentar com os seus impostos as mordomias do Estado? A maioria das pessoas não é masoquista, quando leva no corpo e dói, só tem de protestar.

Quando parecia que os insultos directos tinham terminado, eis que surgem mais dois da boca de responsáveis governativos. Um nem tanto, mas já lá vamos.

Num momento onde a contestação ao caminho escolhido para governar o país, é cada vez mais ruidoso; vem um Ministro a público falar da lenda da Cigarra e da Formiga para de uma forma pindérica, dizer que o povo português é preguiçoso chamando-lhes Cigarras. O senhor Ministro esquece-se é que é graças a elas que recebe um ordenado chorudo ao fim de todos os meses; ordenado esse que muitas dessas Cigarras não se importavam de ter mesmo a trabalhar como Formigas…

O último episódio desta saga (até ver), veio da voz de um dos mais influentes Conselheiros do governo. Este senhor de nome A. Borges, supostamente um conceituado economista que foi convidado a abandonar o cargo que ocupava no FMI, vem chamar ignorantes aos empresários que criticaram a medida – inteligente, segundo ele – de mexer na TSU. Ora bem, ignorante parece ser esse tal A. Borges porque não teve a capacidade intelectual para ver que o que era contestado era a subida da referida TSU para os trabalhadores e não a descida para as empresas… é perfeitamente natural que os empresários ao verem que as pessoas iam ficar com um poder de compra bem mais reduzido que eles iriam vender/produzir menos devido à fraca procura. Não é preciso ser-se muito inteligente para se perceber que o efeito pretendido – estimular a competitividade e dando origem a mais emprego – ia ser o contrário e consequentemente o Estado iria lucrar bem menos com a retenção de impostos como o IVA ou IRC. Se a procura for menor, os proveitos para as empresas também seria menor assim como as receitas para o Estado. Será preciso ter formação académica na área da Economia para se perceber qual seria o resultado?

Como não bastasse, além de chamar ignorantes, disse que a maioria dos empresários não passava do primeiro ano na faculdade do A. Borges. A resposta por parte do representante dos empresários não se fez tardar e foi bem à medida do senhor: segundo os empresários, A. Borges também não teria qualquer hipótese de entrar nos quadros da maioria das empresas. Porque será?

Era bom que o governo e os seus conselheiros se lembrassem que ao proferirem tais palavras, estão a insultar quem lhes concedeu o mandato para levarem o país a bom porto. Afinal quem é que gosta de ser tratado por piegas, preguiçoso ou ignorante?

As pessoas precisam de ser mimadas e não insultadas.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

A sociedade e a sexualidade

Há gente que tem um pavor – não posso chamar outra coisa – enorme em falar sobre sexualidade, tudo por uma questão de educação ou fruto de uma sociedade com uma mente ainda muito fechada para o século que vive.

Eu, por acaso nunca tive esse problema em abordar esse tema de forma aberta, sem o mínimo de tabus. A prova está nos meus dois livros que escrevi onde o tema "sexo" está bem presente, se no 2.º é tudo fruto e obra da minha imaginação (nada mais que isso), no meu 1.º livro fui - a meu ver - bem mais arrojado pois tive a coragem de descrever a minha primeira e única relação sexual até àquela data.

Por ser demasiado "mente aberta", já me apontaram o dedo muitas vezes, ao ponto de me considerarem um tarado. Mesmo assim, não irei nunca mudar a minha maneira de pensar e agir, até porque tenho a consciência e a certeza que estou no caminho certo.

Recentemente, descobri, via Internet no site de uma rádio, um Psicólogo muito à imagem do que eu sou. Ele tem rubricas na rádio, televisão e revistas a falar essencialmente sobre sexo; falo do Dr. Quintino Aires.

Ao ouvi-lo tenho aprendido muito mas sobretudo tenho concordado com grande parte do que ele diz e que eu já tinha essa percepção. Uma dessas ideias é que a maioria dos divórcios se dá por causa da falha na componente sexual da relação. Outra ideia defendida pelo Dr. Quintino e eu assino por baixo, é que não há amor entre um casal se não houver uma vida sexual satisfatória (e vice-versa). Amor sem sexo é o que se sente pelos pais, pelos irmãos ou pelos amigos.

Outra das coisas que leva a que haja uma certa crispação entre os casais é a falta de diálogo. Quem é que é capaz de falar com a sua cara-metade sobre as questões relacionadas com a satisfação sexual? Quem é que é capaz de dizer que gostaria de experimentar determinadas posições novas? Quem é que é capaz de dizer à/ao sua/seu parceiro que não gosta de algo que não faz? Tem capacidade de dialogar com o seu amor sempre que há um problema?

Convido-os a ver o vídeo que se segue e meditem.


A todos que acham que devia ser mais contido e não falar tão abertamente sobre sexo, apenas respondo com algo que é dito no fim do vídeo atrás mencionado: apenas limito-me a cumprir a lei. eheheheh

Os tabus têm que ser derrubados.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

A palhaçada dos "Ídolos".

Eu nunca fui adepto do programa Ídolos da SIC. Um dos motivos, foi sempre a arrogância de alguns elementos do júri e por fazerem de quem se sujeita a enfrentar as câmaras, os bobos da corte e serem "enxovalhados" na praça pública quando a estação podia (e devia) evitar isto.

No que toca ao júri, motivo pela qual estou a escrever este post, assistiu-se há pouco tempo a mais um triste episódio do Sr. Manuel Moura dos Santos. Esse tal que se julga um expert da música.

A irmã da conhecida Luciana Abreu, Ana de seu nome, foi uma das muitas concorrentes que arriscaram a ir aos castings do referido programa televisivo. Humildemente e sem se agarrar ao facto de ter uma irmã conhecida a nível nacional, arriscou foi prestar provas.

Tal como todos, a Ana não conseguiu afastar o nervosismo inerente ao evento. Teve uma prestação pouco conseguida, é certo, mas acho que o alarido que o tal “expert” fez é que era de todo desnecessário.

O problema, é que pegando noutras prestações da Ana vê-se que ali pode estar uma grande cantora portuguesa. Não lhe falta nada, e de certeza que o que a Ana precisa é de pessoas parvas como o Manel Moura dos Santos. Pois se der com gente deste tipo, é certo que a Ana Abreu não vai a lado nenhum.

Para saberem do que eu falo, vejam os dois vídeos que se seguem. O primeiro é da triste humilhação, o segundo contém algumas interpretações da Ana em sessões de karaoke. Visualizem e tirem as vossas conclusões.



Quero deixar bem claro que não estou a defender a Ana – até nem a conhecia –. Estou apenas a apontar o dedo à atitude arrogante de um senhor que tem tido créditos a mais para a classe que tem. Além disso, estou também a criticar um tipo de programa que usa as pessoas, de uma forma muito infeliz, só para tentar angariar audiências. A verdade é que a sociedade portuguesa, o que gosta é de se rir à custa dos outros, o sucesso do programa assim o comprova. Se assim não fosse, não tinha tantas temporadas.

Também gostava de ver o tal Manel no papel de concorrente, a cantar à capela e com a pressão inerente. Será que cantava alguma coisa?

Será que a Ana pagou a factura de ser irmã de quem é?

Já agora, com tantas temporadas que o Ídolos já teve, quantos vencedores do programa conseguiram singrar numa carreira musical? Interessante, não é? Comparando com outros programas de novos talentos…

Por fim, de salientar a bela resposta que a jovem deu cá fora: “aquele senhor ainda vai ouvir falar de mim, ainda me vai bater palmas de pé.”. Uma resposta à mulher do Norte!

sábado, 17 de setembro de 2011

Os ''nossos'' políticos e a crise.

Se há assunto que eu tento evitar falar, esse é a ‘’política’’. Só que há momentos em que por mais que eu tente resistir à tentação de falar, não consigo evitar e ficar calado. Este é um desses momentos.

Sendo eu um consumidor de todo o tipo de notícias (ou que fazem passar como tal), pois gosto de saber o que se passa no mundo e em especial no meu país. Fiquei espantado com o titulo de uma alusiva à crise que o nosso país atravessa e ao discurso do Sr, Ministro dos Negócios Estrangeiros, Dr. Paulo Portas. Diz ele que as ‘‘medidas de austeridade não são opção do Governo’’. Para que não digam que eu estou a mentir, podem consultar a notícia na página com o seguinte endereço:
Ao longo do seu discurso, o Dr. Paulo Portas, tenta a todo o custo deitar as culpas para o anterior Governo. Dizendo que foi este quem assinou o memorando da Troika e que o actual se limita a cumprir o que foi assinado com quem nos emprestou dinheiro.

Ora bem, pegando em tudo que tem vindo a público nos últimos meses, sinceramente fico completamente confuso. Ainda para mais com estas últimas palavras do Sr. Ministro.

Não vai há muito tempo que se ouviu pelo menos um membro do actual Governo (que não posso pesquisar quem foi) a rejubilar-se por estarem a tomar medidas que iam além do que foi inicialmente acordado com a Troika, o que ia fazer com que os objectivos previstos no memorando fossem mais além.

Entretanto, esta semana, surgiram notícias da existência da assinatura de um novo acorde de entendimento entre o Governo actual e a Troika, onde foram acrescentadas novas medidas de combate à divida soberana. Este novo documento também foi assinado pelo anterior Governo? Será que o fantasma Sócrates ainda anda a assinar papeis em São Bento e ninguém dá por nada??

Ainda pegando na justificação do Dr. Paulo Portas que diz que foi o anterior Governo que assinou o indesejado papel, tenho que mencionar outro detalhe que o Sr. Ministro se deve ter esquecido (que das duas, uma, ou deve ter uns ataques de amnésia de quando em vês ou come muito queijo). Ao que toda a gente sabe, o acordo celebrado entre o nosso país e a Troika foi prontamente aceite pelo PS, pelo PSD e pelo CDS/PP cujo Presidente é este ilustre senhor Dr. Paulo Portas. Quando se aceita pôr em prática algo, mesmo que não esteja lá a sua assinatura, é na minha óptica co-responsável pelo mesmo. Se não estivessem de acordo, não se comprometiam com tal coisa mesmo que chegassem ao Governo. O que não foi o que aconteceu.

É anedótico ver os nossos políticos (sejam eles quais forem), tentarem sempre sacudir a chuva do capote atirando as culpas para os seus antecessores. Quando falei que o senhor Dr. Paulo Portas sofria de amnésia, para além de me estar a referir à sua concordância com o memorando ‘’troikiano’’, estava-me também a referir ao seu esquecimento de ele também ter passado pelo Governo e esquecer-se que também ele tem a sua quota parte de responsabilidade pelo estado a que as finanças portuguesas chegaram. Será que se esqueceu que foi ele que comprou os tão badalados submarinos alemães ou então os veículos para o exercito ‘’Pandor’’? Será que queria ele fazer deste pequeno país à beira mar implantado uma potência militar mundial?? Já não me admiraria nada que fosse esse o seu desejo.

Por fim, o caso do buraco da ‘’ilha maravilhosa’’ da Madeira. Que só ela, ou melhor o seu Governo Regional, vai contribuir para que o défice nacional cresça quase um ponto percentual. Tudo isto em apenas 3 singelos anos!! Ainda dizem que o Engenhocas Sócrates em 6 anos destruiu o país? O Alberto João em 3 conseguiu dar cabo da sua ilha e ajudar a afundar ainda mais o ‘’contenente’’. Este senhor merecia uma medalha por este feito extraordinário de fazer quase o mesmo que o Sócrates mas em menos anos!! É de louvar esta capacidade do nosso amigo Alberto João.

Também é muito engraçado ver os membros do partido do Alberto João, que até aqui acusavam os rosinhas deste descalabro monumental do nosso país (não deixarão de ter alguma razão), de repente verem-se confrontados com uma situação idêntica numa região onde o poder está nas suas mãos há mais de 25 anos. Ter que engolir grande parte do que se disse é extremamente difícil não é? É caso para aplicar um ditado popular que diz que ‘’no melhor pano cai a nódoa’’. A sabedoria popular devia ser elevada a património mundial!

Quero salientar, antes de terminar este post, que tudo o que disse hoje, não tem intenção nenhuma de defender qualquer cor partidária. Até porque como digo sempre quando me perguntam sobre qual o meu partido, a minha resposta é sempre a mesma: ‘’sou um arco-íris’’. Além disso, concordo plenamente com a opinião de um fulano (não me recordo o nome) que diz que o mal do país vem já do inicio dos anos 90, altura em que as ‘’torneiras’’ da então CEE jorraram dinheiro atrás de dinheiro a fundo perdido e ser todo esbanjado a torto e a direito.

Mas a culpa não é só dos governantes dos três partidos que passaram pelo poleiro – é interessante constatar este facto: em mais de 30 anos de democracia, só passaram pelo Governo três cores políticas. Interessante, não é? –. Eu também culpo o sistema bancário que andou anos a fio quase que a oferecer créditos; culpo os portugueses por se terem deixado iludir pelas lengas-lengas dos bancos e contraíram empréstimos por tudo e por nada, sem sequer pararem para pensar se tinham ou não condições de pagar tais créditos. Não falo apenas do crédito à habitação. Houve aí uma fase que até para comprar roupa ou calçado se pedia crédito!! É claro que com o acumular de tanto crédito (e respectiva divida), a situação teria que chegar a um ponto de saturação. Ei-lo.

Ah, e já agora fiquem a saber que nas próximas eleições vou votar na Troika. Qual PS, PSD, CDS/PP, Bloco de Esquerda ou CDU (PCP e ‘’Os Verdes’’? O que está a dar é a Troika!!!